Eu, Milton Glaser e meu sócio, Wilgor Caravanti

Eu, Milton Glaser e meu sócio, Wilgor Caravanti

Conheci o trabalho do Milton Glaser nas  páginas da revista Gráfica ainda no final dos anos 80.  Já conhecia o trabalho de um conterrâneo dele, o Lubalin que morreu em 1981 e para mim foi um dos mais importantes designers.

Pesquisando Milton Glaser pude descobrir além dos cartazes fantásticos (que segundo ele são mais de 2000) e ilustrações fabulosas feitas em diversas técnicas, uma história irreverente que abriu caminho para o design norte-americano.

Junto ao fantástico ilustrador, Seymour Schwast, Glaser fundou o Push Pin, o pioneiro estúdio fundado nos anos 50. O objetivo desse estúdio era dar uma nova estética para a comunicação gráfica norte-americana. Devemos lembrar que nessa época o design tanto na Europa, quanto nos Estados Unidos passava por um período em que imperava o cientificismo. Na Europa surgia a famosa HFG em Ulm, a escola que ditou as normas do design mundial durante décadas. Já nos Estados Unidos, o marketing surgia como uma importante ferramenta de vendas. As mega-agências de propaganda começavam a utilizar pesquisas de mercado, números, resultados. Era sinal de que a estética dos anúncios não seria mais a mesma.

O Push Pin surge nessa história como uma nova via para a comunicação gráfica. Glaser havia estudado na Itália e tinha uma forte ligação com técnicas de gravação e ilustrações manuais. Isso fez o Push Pin virar uma lenda.  Porém duas décadas mais tarde Glaser deixaria o Push Pin para seguir seu caminho sozinho.

Em 2005, na edição número 12 da revista abcDesign, escrevi um artigo sobre o Push Pin, esse lendário estúdio que existe até hoje na figura de Seymour Schwast. Escrevendo o artigo pude me encantar ainda mais, afinal eles tiveram uma grande importância para o design mundial.

Na semana passada pude conhecer pessoalmente o Milton Glaser. Uma figura extremamente simpática. Não vou mentir que tive uma curiosidade tremenda em perguntar sobre o momento do “insight” do inesquecível pôster do Bob Dylan. No meu ponto de vista esse pôster foi fundamental na construção da imagem do cantor. Prova disso é a pergunta: Quem, com mais de 50 anos, não se lembra da imagem com o perfil de Dylan todo em preto, apenas com seus cabelos em cores psicodélicas? (ainda estou longe dos 50, mas tenho obrigação de conhecer porque sou designer).

Glaser faz parte de uma geração de designers que teve ainda figuras como Saul Bass, Paul Rand, Chermaieff, dentre outros. Essa geração não ligava estreitamente design e business como hoje fazemos, mas sem dúvida construíram marcas memoráveis, como a Olivetti, na qual Glaser trabalhou.

Glaser tem mais uma coisa que me encanta: suas idéias sobre o design, seus textos. Ele não é “rancoroso” em relação ao caminho que o design tomou, como muitos ícones. Ele simplesmente coloca seu ponto de vista de forma pessoal, trazendo à tona problemas comuns tanto para o universo norte-americano, como o mundial.

Por sua história ele é um mestre do design e o maior ícone vivo no meu ponto de vista.

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