Na última quinta-feira (18) aconteceu a abertura da “Ero Ere: negras conexões”, uma exposição marcante não só pela potência discursiva das obras, mas também pelas múltiplas técnicas empregadas: fotografia, bordado, cerâmica, livro-objeto… que juntas compõem uma narrativa cíclica a partir de distintos pontos de vista. Os trabalhos expostos são das artistas Claudia Lara, Eliana Brasil, Fernanda Castro, Kênia Coqueiro, Lana Furtado, Lourdes Duarte e Walkyria Novais, que compõem o coletivo que dá nome a exposição (confira o Instagram do coletivo aqui). A curadoria é do professor e pesquisador Emanuel Monteiro.

A abertura foi recorde de público em aberturas de exposições do Museu Oscar Niemeyer (MON), que recebe a mostra provisoriamente até a reabertura do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR), instituição responsável pela exposição. A inauguração também contou com a brilhante performance “Carne Nobre”, da Eliana Brasil, descrita pela própria artista como: “Carne Negra servida com Ervas anti-inflamatórias e Óleos cicatrizantes para fechar feridas abertas pelo racismo histórico”.

“Ero Ere: negras conexões” é sobre memória e corpo. “Os trabalhos com matéria têxtil que alinhavam a pesquisa de boa parte destas artistas ocupam historicamente uma zona limiar entre o trabalho doméstico não remunerado e o trabalho informal. Neste contexto, o espaço da casa e o espaço da cidade apresentam questões complexas de diferentes níveis de cerceamento da possibilidades de atividades profissionais e de liberdade num todo. A questão do direito ao trabalho e do acesso às academias de arte adquire nuances importantes quando se trata de artistas mulheres negras, e é a partir desta diferença de posição que devemos considerar alguns dos aspectos mais importantes da questão. Por qual motivo […] a arte têxtil apresentaria, aida hoje, uma singular força de resistência? Suponho que seja uma questão de lugar. Por demarcar um lugar de ocupação e direito de permanência como resistência”, traz o texto do catálogo da exposição assinado pelo curador Emanuel Monteiro.

A mostra é uma celebração ao Dia da Mulher Negra e Caribenha (25 de julho) e abre a programação do Movimenta Preta, ação da Secretaria da Comunicação Social e da Cultura e da Secretaria da Justiça, Família e Trabalho. As atividades incluem também shows, homenagens e bate-papos, confira aqui a programação completa.

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