Com a temática “Luz do Mundo”, a 4ª Bienal Internacional de Curitiba traz luz a praças, museus, ruas e galerias, tornando Curitiba um grande palco artístico. Dentre as exposições, “Chove”, um estudo gráfico sobre a chuva. Conversamos com o artista Henrique Martins, idealizador do livro que deu origem a exposição que fica até fevereiro no Museu da Gravura.

 

Ideia

A ideia de fazer um livro de chuva já era antigo. Sempre tive um fascínio e uma certa obsessão pela chuva, uma parte da natureza que o homem não controla, uma parte idomável da coisa e que coloca tudo em torno dela. Tem um pouco de infográfico e a ideia de partitura também era muito forte, fazer uma partitura de chuva. As coisas acabam operando mais ou menos da mesma forma, então fiquei pensando em quais sinais gráficos eu poderia usar para representar a chuva e o que da chuva eu queria representar.

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foto: divulgação

 

Processo

Esse processo de ficar na chuva por dias foi meio psicótico, busquei depoimentos para entender o que é pensado e o que é sentido quando chove. O fato é que é uma coisa que está tão presente que se torna banal, você não sabe como ler essa história, você não sabe como sentir, você só sabe que está chovendo, mas não sabe exatamente o que sentir com isso, então a base da história, que eu chamo no livro de decodificação, era tentar voltar a um olhar mais puro da história. Tentar entender isso como se fosse algo novo, por isso que eu voltei para a base científica da coisa, o que que é chuva fisicamente, da onde vem a chuva, porque que chove, antes de tentar identificar questões emocionais ou a carga cultural que já existe por trás dela.

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foto: divulgação

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foto: divulgação

 

Pesquisa

Foi no trabalho de pesquisa que eu tive a ideia de dividir a chuva em duas paisagens, uma paisagem externa, que seria isso que você vê, que teu corpo reconhece que tem esses elementos muitos claros: a gota de chuva, as nuvens, os trovões, o que faz parte desse evento fisicamente, e uma paisagem interna que seria como a gente reconhece esse mundo emocionalmente, como você se sente, como é feita essa composição de paisagem.

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foto: divulgação

 

Ordenação gráfica

Então, com a paisagem externa eu consegui dividir essas partes da chuva de forma bem racional e atribuir para cada uma dessas partes da chuva um sinal gráfico. Daí que eu falo que opera mais ou menos como uma partitura que as partes têm um símbolo próprio e esses símbolos, esses sinais, esses elementos gráficos, eu organizo para tentar alcançar equivalentes sensoriais dessas paisagens internas que são sensitivas.

E essa linguagem, que foi escolhida para desenhar o livro, é muito sintética é muito simples. São traços, vetores, e isso tem a ver com essa ideia de partitura e de matemática para originar uma mensagem mais direta e que me permita organizar e reorganizar elementos de milhões de formas e ainda mantê-los reconhecíveis.

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foto: divulgação

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