Quase aos 50 anos de existência, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR) tem uma coleção composta majoritariamente por artistas homens: 398 contra 229 mulheres. Diferença que torna-se ainda maior em relação ao número de obras do acervo, de 1.800 trabalhos, 1.014 foram realizados por homens.  

A partir dessa discrepância entre a presença de homens e mulheres no MAC-PR, a mostra “Estamos aqui! Relevos no Horizonte do Acervo do MAC”, busca reequilibrar essa realidade. São obras de 15 mulheres – 11 artistas que integram o acervo do museu e quatro convidadas.

Com curadoria da diretora do MAC-PR, Ana Rocha, a exposição apresenta obras de Ana Gonzalez, Cristina Agostinho, Deborah Santiago, Eliane Prolik, Elizabeth Titton, Erica Storer Araújo, Isabella Lanave, Fabiana de Barros, Guita Soifer, Janete Fernandes, Juliana Gisi, Mainês Olivetti, Marga Puntel, Marta Neves e Maya Weishof.

De acordo com Ana Rocha, mostrar o acervo do museu junto com outras artistas contemporâneas faz parte de um conceito de remixagem, prática que tem origem na música, mas que é levada também para áreas como arquitetura, quando prédios são remodelados para outros fins, moda, com a customização de roupas, e na própria arte.

Todas as obras da mostra, segundo a curadora, referem-se ao corpo de diversas maneiras e o coloca como centro para falar de temas como identidade e consumo. É o que faz Juliana Gisi em seu vídeo “Dueto em três vozes para Mariposa”, finalizado em 2019 — ela é a personagem principal da obra, que mostra o seu rosto de duas formas distintas. A artista explica que a obra não é um autorretrato, “mas uma discussão que tem muito mais a ver com usar o seu próprio corpo como matéria, utilizar a imagem para uma proposição”.

Imagem do vídeo "Dueto em três vozes para Mariposa", de Juliana Gisi.

Imagem do vídeo “Dueto em três vozes para Mariposa”, de Juliana Gisi.

Doutora em Artes Visuais, Gizi enaltece a importância da ação da exposição em trazer como protagonista mulheres artistas: “Existe uma defasagem grande no número de obras dos acervos e em exposições no mundo todo. É uma realidade, é algo forte. A partir da década de 1960, esse tema entrou cada vez mais em discussão e hoje temos ações efetivas para colocar essa disparidade em vista. São ações afirmativas para mostrar que existem mulheres produzindo que são tão boas quanto os homens, e por uma questão estrutural não aparecem tanto. A exposição é uma forma de recontar essas histórias”.

A inauguração da mostra, que contará com uma performance da artista Erica Storer Araújo, está prevista para o dia 15 de maio, às 19h, na sala 9 do Museu Oscar Niemeyer (local onde o MAC-PR funciona temporariamente enquanto sua sede passa por reformas). A entrada é franca.

Compartilhe: