A arte e descolonização vem sendo discutida por grandes museus em diversas partes do mundo. O MASP (Museu de Arte de São Paulo), por sua vez, estabeleceu uma parceria de estudos sobre o tema com a Afterall – centro de pesquisa dedicado à arte contemporânea e às histórias das exposições. Através de seminários e publicações, a iniciativa pretende questionar as narrativas oficiais e a configuração eurocêntrica do mundo da arte como uma história totalizante.

Ao longo deste ano, o museu disponibilizará em seu site, na seção “mediação”, dez ensaios, entre artigos comissionados e traduções inéditas. Três já estão online:

Em relação aos seminários sobre o tema, o primeiro foi realizado no final do ano passado (disponível no Youtube) e o próximo está marcado para este ano, nos dias 15 e 16 de outubro. No ano que que vem, será publicado uma antologia com contribuições dos participantes dos seminários, textos de referência sobre descolonização e arte e ensaios escritos especialmente para o projeto.

A descolonização dos museus

Poucos ousariam contestar o fato de que os museus são produtos de uma narrativa colonial e, ao mesmo tempo, seus dispositivos, como escreve a pesquisadora mexicana Brenda Caro Cocotle no artigo “Nós prometemos descolonizar o museu: uma revisão crítica da política museal contemporânea”. Por isso, o crescimento do clamor contra esse tipo de instituição, reclamando que ela implemente práticas não coloniais, sobretudo no plano das políticas de exibição e de coleção.

Cocotle explica que as políticas de representação dos museus têm sido objeto de discussão desde o final dos ano 1970, mas só ganhou força quando irrompeu na esfera da arte contemporânea e se transformou em tendência e eixo de trabalho. O que fez com que os museus e, mais concretamente, os de arte contemporânea, tomassem consciência de sua herança colonial.

Assim, cada vez é maior o número de instituições que implementam projetos curatoriais, programas públicos, atividades educativas, mesas de debate e atividades de vinculação que propõem formas de acabar com o arcabouço colonial. No entanto, a pesquisadora mexicana, lembra que os museus continuam a operar sobre os mesmos mecanismos de legitimidade artística e que a colonialidade está longe de ter sido superada, há ainda muito caminho pela frente.

No caso do MASP, cuja coleção é predominantemente europeia, o museu em sua parceria com a Afterall, busca realizar projetos curatoriais não centrados na Europa e Estados Unidos e trazer reflexões sobre práticas artísticas que questionem a narrativa canônica da história da arte. O acervo do segundo andar do museu já está em transformação. O intuito é incluir maior número de obras de artistas mulheres, negros e indígenas.

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