Daytripper é uma graphic novel dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá que retrata a vida e as muitas mortes de Brás de Oliva Domingos, um escritor frustrado que aos 32 anos trabalha como colunista da seção de obituários de um jornal de São Paulo. A história explora os múltiplos ângulos da existência humana através de episódios correlatos; Brás como filho, pai, amigo, marido, profissional, mas todos estes, com um ponto concomitante: a efemeridade da vida aliada a trivialidade da morte.

A inspiração no clássico machadiano Memórias Póstumas de Brás Cubas é inerente e vai muito além do nome do protagonista. A filosofia humanística de Quincas Borba, que nega a existência da morte: “Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida,” (capítulo VI, Memórias Póstumas de Brás Cubas) é representada no quadrinho, no qual o óbito é coadjuvante e aparece apenas como desfecho quase que inconclusivo de diversas etapas que terminam e começam de maneira inata e sucessiva.

Com o passar das mortes de Brás, fica evidente que Daytripper se trata muito mais de questionamentos do que de respostas. O limiar entre o existente e o imaginário, a utopia e o banal, tornam esta graphic novel uma das obras contemporâneas de maior sensibilidade, tanto na poética da narração, quanto no traço e colorização do desenho.

Daytripper foi publicada no ano de 2011 pela Vertigo, selo adulto da DC Comics, e foi ganhadora de diversos prêmios como “Melhor Mini Série”. Dentre estes, o Eisner Award (considerado o “Oscar” dos quadrinhos), o Harvey Awards, o Publishers Weekly e a classificação de Best Book of 2011 Amazon, além de ter sido o álbum mais vendido na lista do New York Times durante quatro semanas.

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