Vovó da Janara

Vovó da Janara

 

Vó. Definitivamente ela está presente nas rodas de discussão sobre a história, teoria e prática do Design. A princípio isso pode parecer absurdo, mas pense bem: todo mundo a-d-o-r-a contar que sua avó não faz a mínima ideia do que você faz na faculdade, e contar que faz Design não melhora nada.

Então por que recorremos continuamente a esse exemplo? Bem, os motivos são infindáveis… Há, contudo, um consenso: tentar explicar a uma senhora de 80 anos o que é o “dizáin” é uma tarefa bem ambiciosa. Traduzir da maneira mais objetiva e clara possível nossa profissão é um exercício implícito na tarefa supracitada – é um exercício de definição. Ora, sendo assim, e consequentemente, a vó nos ajuda a esmiuçar a rede intrincada de significações à procura dos termos mais adequados à descrição pretendida. Invariavelmente isso nos traz uma percepção mais aguçada a respeito da nossa própria área de atuação; nós acabamos absorvendo o significado do nosso trabalho. Estender esse conceito à efetiva prática projetual pode ser, assim, muito útil.

Dona Ceci, vó do Marcelo Braga: http://www.diburros.com.br/
Dona Ceci, vó do Marcelo Braga: http://www.diburros.com.br
D. Noêmia, Vó da Ana Luisa. http://www.flickr.com/photos/anabanana_

D. Noêmia, Vó da Ana Luisa. http://www.flickr.com/photos/anabanana_

 

É possível afirmar que a tendência que o Design vem seguindo consiste na simplificação (síntese formal) do produto, e nesse contexto a inserção da vó em uma equipe de projeto poderia trazer grandes benefícios. Como? Bem, de que recursos você abriria mão para esclarecer, pra sua vó, como interagir com a intrincada interface do seu novo produto? Como explicaria suas decisões atinentes à forma e configuração?

Aí está, mais uma vez, a contribuição da vó! Hoje pouquíssimas pessoas têm paciência e (principalmente) tempo para ler manuais ou investir em tentativas práticas de uso de produtos complexos. Todos queremos facilidade de interação, menos botões, um leiaute mais objetivo; dialogar com a vó pode nos acudir nesse sentido, na percepção dos aspectos irrelevantes ao produto. Uma vez descartado o supérfluo, obtém-se a essência do que se espera desse bem de consumo: facilidade de manuseio e um conceito mais bem estruturado – o que nos leva ao consumidor feliz.

Talvez fosse necessário introduzir uma nova etapa nas metodologias de projeto onde possamos inserir a vó, mas possivelmente sua ajuda seria bem-vinda nas etapas de controle de qualidade. Por que não? Conforme os esboços do produto são construídos eles vão sendo enviados ao departamento da vó, a qual vai destacar pontos de revisão necessários e reenviá-los ao projetista. Se para a vó não foi possível compreender o produto ou dado aspecto do mesmo, o designer o redesenha objetivando maior clareza e o ciclo recomeça.

Aqui fica a dica: pratique esses exercícios com sua vó. Inicialmente eles te ajudarão a criar definições melhores para a tua atividade profissional; posteriormente, te proporcionarão formas de tornar o produto mais simples e objetivo, agregando valor ao mesmo! Não é?

Um grande beijo a todas as vós, particularmente àquelas relativas aos estudantes e profissionais do Design. Abraço!

Matheus Mariani de Souza
Contato: mateus_pb [at] hotmail.com

Estudante de Desenho Industrial – Projeto de Produto da Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, Rio Grande do Sul. Atualmente cursa o 4° semestre da graduação e participa de dois projetos de pesquisa na instituição. Além disso estuda inglês, idioma em que tem bom conhecimento.

PS: para ilustrar essa matéria, nós, da abcDesign, não pudemos deixar de recorrer ao projeto Vó do Roque, da Janara e da Alicia, da revista online IDEA FIXA, que pedia às pessoas que tirassem fotos de suas vozinhas fazendo pose roqueira!

Compartilhe: