Existem algumas razões para explicar o desperdício de alimentos ao longo do globo terrestre. Em países com baixa renda per capita, são os problemas de armazenamento e refrigeração os vilões, ou seja, a falta de infraestrutura. Já em países ricos, os alimentos vão para o lixo devido à compra e venda em supermercados e aos maus costumes consumistas da população. Isso significa em números que na Europa e América do Norte uma pessoa desperdiça sozinha entre 95 a 115kg, enquanto na África e no sul e sudeste Asiático o desperdício é bem menor: fica entre 6 a 11kg.

Foram esses dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação em março de 2011, que levaram o austríaco Klaus Pichler olhar para a fotografia como forma de conscientizar e – bem da verdade- chamar a atenção, em forma de protesto, para o modo como se tem tratado o consumo de insumos básicos na atualidade, na mesma época em que muitos sofrem com a falta de comida.

One Third, a project on food waste – Um terço, um projeto sobre desperdício de alimentos, em tradução livre para o português  – é o nome dado ao projeto em honra às proporções de desperdícios apresentadas nos dados publicados pela Organização. “Em média, um terço de todos os produtos alimentícios industriais vão para o lixo no mundo todo, ficando entre 25-75%, dependendo do produto. Juntos, 1.3 bilhões de toneladas de alimentos são descartados todos os anos, enquanto o sul do globo é atingido por um período severo de fome. O problema tem aumentado drasticamente desde a subida nos preços dos alimentos no mercado global, depois da “Crise dos preços alimentícios” de 2007. Esse estado do negócio não é tão paradoxal quanto se supõe, embora isso seja parte do sistema econômico neoliberalista global, em que a indústria alimentícia global faz parte”, explica o autor do projeto.   

Através de alimentos em diferentes estágios de decomposição, vindos de diferentes partes do globo, Pichler busca fazer um link entre a cultura industrial e o estilo de vida das pessoas, principalmente em países, reconhecidos por ele, como industriais. “Nas fotografias, isso fica obvio através da combinação do alimento com os acessórios da cultura industrial focada na alimentação (por exemplo, pratos, talheres). Embora, os itens fotografados sejam retratados como parte da cultura e história da culinária europeia”, acrescenta o fotógrafo.

Junto com as imagens seguem legendas com dados sobre o alimento retratado, como o tempo de colheita, o preço, meio como foi transportado e a quilometragem percorrida, para dar ênfase a todo o processo ao qual ao alimento passa até ser descartado.

Vale a pena conferir todo o projeto de Pichler http://bit.ly/GTWw6a

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