Ericson Straub e Mariana Di A. Guimarães

Cadernos de rascunho de Bacigalupo

Cadernos de rascunho de Bacigalupo

Eduardo Bacigalupo saiu de Montevidéu para chegar a São Paulo e nunca mais saiu. Aqui, encontrou a oportunidade de fazer o que mais gosta: brincar com as letras.

A profissionalização da publicidade Norte-americana nos anos 50 fez surgir novas atividades ligadas às artes gráficas nas agências. Uma delas foi a função de type-director, uma espécie de designer de fontes ou caligrafista, cuja função principal era desenhar os ‘letterings‘ e tipos específicos nos anúncios. Mesmo na Europa ainda não eram comuns profissionais especializados nessa área, e na América Latina, a Argentina era o país com maior tradição tipográfica.

Tipografia para a Vivo

Tipografia para a Vivo

No final dos anos 60, o Brasil acompanhava atentamente a profissionalização da publicidade e das artes gráficas e acabou acolhendo muitos dos profissionais latino-americanos que possuíam essa especialização. Eles traziam consigo ideologias políticas, muita energia criativa e o gosto pelos tipos e pela caligrafia. Um destes pioneiros foi o uruguaio Hermenegildo Sábat que passou diversas temporadas a trabalho no Brasil entre os anos 60 e 70. Hector Tortolano e Rodolfo Vanni, ambos diretores de arte argentinos, também passaram e ainda residem no Brasil, assim como o uruguaio Eduardo Bacigalupo.

A trajetória de Bacigalupo, nascido em Montevidéu, foi parecida com a de muitos outros diretores de arte e designers da América Latina, que viram no Brasil um país com muitas oportunidades. Há mais de 30 anos, ele se instalou no país e desde então nunca mais saiu. Aqui, não encontrou apenas um emprego. Fez uma infinidade de amigos, casou-se e recebeu o devido reconhecimento de seu talento. Eduardo Bacigalupo já passou pelas mais importantes agências de publicidade do país com um trabalho sempre marcado pelo aprimoramento tipográfico e caligráfico.

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Cartaz

Formado pela Universidade do Trabalho do Uruguai em Design e Publicidade Gráfica, Bacigalupo é um confesso apaixonado pela arte da tipografia. Adora criar famílias de fontes e muitos de seus trabalhos são resultados de seu exímio intelecto e capacidade de “brincar” com as letras. Participou de vários projetos de identidade visual como Banco Itaú, Unibanco, Vasp, Banco do Brasil, Café Pelé, Bardahl, Sport Club Corintians Paulista, Companhia Antarctica, Dinners Club e Golden Cross, para citar apenas alguns.

Hoje trabalha no escritório BCDDesign, que fundou em 1994. Por este escritório já assinou vários projetos, como o design editorial da Revista da ABA, o novo logotipo do Sedex, a nova identidade visual da Escola Panamericana de Arte, o calendário “A Arte da Tipografia” da Relevo Araújo, o logotipo da griffe “Clodovil”, os símbolos do Festival Brasileiro da Promoção Embalagem e Design e “The Hop Tops” para a About, a tipografia institucional da VIVO etc.

Prêmios também não faltam a Eduardo Bacigalupo. Já foi reconhecido pelo CCSP – Clube de Criação de São Paulo, Profissionais do Ano da Rede Globo, Festival Brasileiro da Promoção Embalagem e Design e Voto Popular/Prêmio

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Cartas para V Bienal de Design em São Paulo

Cliente da About, Prêmio Excelência Gráfica da ABTG, Festival de Cannes, Creativity Annual, Parsons School of Design – NY etc.

Para conhecer um pouco melhor este uruguaio de alma e coração brasileiros, a abcDesign entrevistou Bacigalupo, procurando abordar diversos assuntos pertinentes ao design gráfico e à tipografia. Muito atencioso e bem humorado, Bacigalupo contou, de pouco em pouco, sua trajetória no design. Veja aqui.

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