Jason Little diretor criativo do escritório parisiense da Landor, escreveu um artigo bem interessante sobre algumas tendências no design de marcas (está em inglês e vale a pena ser lido, aliás, a Landor colocou vários artigos de tendência para 2010…).

Pois Michael Melnick, um designer e blogger americano comentou em cima do artigo de Little, e a sua reflexão foi bem bacana, e achamos que valia a pena um registro aqui no site. Segue a tradução.

Jason Little diretor criativo do escritório parisiense da Landor Associates, apresentou uma interessantes e um tanto chocante análise de tendências de design para 2010 e como elas impactarão nas marcas. Little afirma que tecnologia e a globalização levaram o mundo ao caos e encoraja os designers e profissionais do marketing a pararem de tentar organizar e controlar o caos. Ao invés disso, ele sugere que o abracem. Esse ponto de vista propõe um grande desafio para as empresas que possuem políticas de design e gerenciamento de marcas com uma visão rígida e dura, e é uma grande oportunidade para as companhias que têm a habilidade de soltar “a mão” e viver no “modo exploratório”. Aqui estão as três tendências que Little destaca e algumas das minhas observações que reforçam ou questionam essas afirmações.

Homogenização

“Muitos designers estão vendo as mesmas fontes de inspiração e, inevitavelmente, eles desenvolvem estilos similares, seja deliberadamente ou inconscientemente”.

Isso pode ser verdade, mas não é nenhuma novidade. São tão culpado quanto qualquer outro designer de me expor e me inspirar pelas experiências que eu encontro e muitas delas não são mesmo exclusivas, especialmente em um mundo que é tão influenciado por conteúdo comercial e não comercial. No entanto, não estou convencido que esse fato é mais verdade hoje do queera no passado. É muito claro também que há princípios genéricos de design que são compartilhados por muitos (pense: simplicidade) e que podem levar a métodos semelhantes e, algumas vezes, resultados semelhantes. Eu acredito que a relação simbiótica entre cultura e design sempre existiu e sempre existirá. E a chave para uma marca de sucesso sempre foi e sempre será a diferenciação.

À esquerda, marca para o Oakland Museum da Califórna, à direita, El BAnco de Uno, México

À esquerda, marca para o Oakland Museum da Califórna, pela Mark Cavagnero Associates, à direita, El Banco de Uno, México, design da Saffron e embaixo a identidade para New Museum, pela Wolff Olins

Estética de nicho

“Estamos vendo o florescimento do design “feio” como um meio de chamar a atenção. O que uma vez foi considerado nada agradável aos olhos tem se tornado uma forma efetiva de se desenvolver uma identidade de marca”.

Bem, isso explica a identidade visual para as Olimpíadas de Londres, em 2012. Mas além de uma tendência para 2010 é também um reflexão de um fenômeno muito mais amplo. A subcultura está sempre sob o risco de se tornar main streem se muitas pessoas começarem a gostar daquilo. Essa tendência é, de alguma forma, contraditória em relação à primeira, mas eu acredito, sim, que designers e profissionais de marketing precisam se preocupar menos com a questão “isso está bonito?” e focar mais em “isso funciona?”

A tão falada marca para as Olimpíadas de Londres, em 2010, feita pela Landor

A tão falada marca para as Olimpíadas de Londres, em 2010, feita pela Wolff Olins

Design generativo

“Computadores deram um novo significado para criação de imagens sem o envolvimento humano, designers podem preparar parâmetros de concepção e deixar que o programa faça o resto”.

Mais uma vez, isso não é algo novo, e, provavelmente, nós ainda estamos nos estágios iniciais dessa tendência. Tudo começou com a imprensa de Gutemberg e o fim não está nem perto. O filme Avatar é a manifestação mais recente dessa tendência, e não seria arriscado dizer que daqui dois anos, o filme vai parecer um tanto… velho. Acho que enquanto os designers continuarem gerando “os parâmetros de concepção”, tudo está ok. Mas se e quando os computadores começarem a fazer isso também, daí podemos ficar preocupados.

Em conclusão, Little escreve: “Flexibilidade é a onda do futuro. Paletas de cores restritivas vão se transformar em espectros completos. A fotografia vai se afastar do estilo posado e encenado para se aproximar do conteúdo gerado por consumidores, a exemplo de sites como o Flickr. O desafio vai ser manter uma presença de marca coerente sem se voltar às regras rígidas”.

E eu gostaria de concluir com uma previsão de tendência minha e um conselho que pode e deve servir para o próximo ano e para o futuro do branding e do marketing. O que vai fazer ou matar marcas é o elemento autenticidade. Designers devem ser capazes de criar e recriar experiências autênticas que expressem valor enquanto eles caminham pela tênue linha entre ilusão e verdade, mas sem jamais comprometer a confiança. Uou! eu escrevi isso mesmo?

Logo para o Cop 15, feito pelos Dinamarqueses Troels Faber and Jacob Wildschiødtz.

Logo para o Cop 15, feito pelos Dinamarqueses Troels Faber and Jacob Wildschiødtz.

Por Michael Melnick

http://designmanagement.typepad.com/dmmaster/

Traduzido e publicado com autorização do autor.

Todas as imagens pertencem ao Under Consideration.

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