Ontem, assisti à palestra com o holandês Philip Hess, da Senz° Umbrella, promovida pelo Centro de Design do Paraná, em virtude da Semana D, que ainda está rolando!

Confesso que não estava esperando uma palestra tão rica sobre um objeto em tese tão mundano quanto um guarda-chuva, mas Philip mostrou que por trás de um case de sucesso as boas ideias não acabam no produto final.

O Senz° Umbrella realmente é uma inovação. Basta ver os muitos vídeos testando o projeto. Ele aguenta mesmo ventos de até 100 km/h. Mas, mesmo sendo um produto muito bom, colocá-lo no mercado e vender pode ser a parte mais difícil.

Investimentos, por exemplo. Conseguir quem queira patrocinar um empreendimento sempre é um desafio. “Investidores dão dinheiro quando sabem que terão consumidores para o produto, consumidores só irão consumir se houver produção e só teremos produção se tivermos investidores”, apontou Hesse.

A primeira boa ideia deles foi quebrar ese ciclo indo atrás dos consumidores, apresentando o produto e pedindo que assinassem termos de intenção de compra. Isso animou os investidores, o dinheiro saiu, e lá foram eles atrás de empresas que o produzissem (no caso, a escolha foi produzir na China porque é onde se produz a grande maioria dos guarda-chuvas).

Tudo certo. Chegaram 10 mil unidades.

Em vez de tentar trabalhar com publicidade, e por acreditarem que a ideia realmente muito boa, eles procuraram fazer uma assessoria de imprensa por conta própria ligando para vários meios de comunicação do país. Resultado: venderam as 10 mil unidades em apenas 9 dias! A procura foi tanta, que eles decidiram começar a vender “vale-umbrella” até que chegassem as novas unidades.

Daí, a Senz° Umbrella só ganhou mais notoriedade. As inscrições em prêmios foi uma sacada importante, porque deu ainda mais visibilidade na mídia de outros países, e a distribuição foi apenas aumentando. O que era um projeto de faculdade virou realmente uma empresa com distribuição internacional.

Para Hess, ter uma boa ideia – como foi este guarda-chuva – é a parte mais difícil, mas o que percebemos é que para muitos criativos, a dificuldade está na hora de “fazer virar” o produto, de divulgar e comercializá-lo. A Senz° Umbrella apresentou algumas dicas importantes para fazer isso com eficiência.

Divulgue a mensagem principal: o mais importante do Senz° Umbrella não era que usa hastes diferentes, nem que o fato de ser assimétrico protege melhor. O foco da mensagem foi que é o guarda-chuva perfeito para as piores tempestades. É isso que as pessoas queriam.

Ser crível: o seu produto tem que provar de todas as formas que funciona mesmo. Por iniciativa própria, eles contrataram três paraquedistas para pular com os guarda-chuvas há milhares de metros de altura e colocaram no Youtube. Viralizou, é claro, é não deixou dúvidas sobre a eficiência do produto. E quaisquer dúvidas que tenham sobrado foram eliminadas quando um outro grupo resolveu testar de outras maneiras se ele realmente aguentava tudo o que prometia.

Pegue pela emoção: Não se trata apenas de apelar pelo lado emocional das pessoas. O que eles fizeram foi humanizar a empresa, associando a cara deles por trás do produto. Colocaram fotos do processo, das horas divertidas, deram entrevistas. Carisma pode fazer uma grande diferença, essa é a lição.

Conte uma história: As pessoas querem se identificar com o produto, não apenas saber que ele vai ser bom para a vida delas. Colocar o produto em usos reais – porém inesperados, divertidos e porque não dramáticos – faz com que as pessoas vejam como aquilo pode fazer parte do seu dia a dia.

De um grupo de 3 caras, hoje, a Senz° Umbrella tem 20 funcionários e trabalha com gente de todas as áreas de forma integrada – Pesquisa&Desenvolvimento, Produção&Logística, Marketing&Venas todo mundo conversando junto num processo integrado. É assim que melhor funciona.

E para quem ficou pensando, “nossa, mas eles são ótimos, devem estar criando vários outros projetos incríveis”, não é bem assim. Eles estão em busca daquela nova ideia, mas também estão trabalhando em melhorar o produto que eles já têm, criando novas versões (guarda-sol para praia é uma delas) e investindo em ampliar a distribuição no resto do mundo.

Para Hess, é mais importante fazer uma coisa muito bem feita, que 100 mais ou menos. “Nosso sonho é que quando as crianças no futuro desenhem um guarda-chuva tenham como referência o formato que nós criamos”.

Por Mariana Di Addario

 

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