autor: Joaquin Fernandez Presas – Diretor de criação da Pontodesign

No último texto falei brevemente sobre os dois GPS (design e produto) de 2016. Agora quero falar um pouco sobre outros dois trabalhos que, segundo a Jurada Brasileira Margot Takeda, estavam também concorrendo para ser GP.

Estes dois trabalhos acabaram sendo premiados com Ouro e, apesar dos dois serem trabalhos bem interessantes, acho que eles não teriam como ser mais diferentes ou distantes.

De um lado, temos as exposições para a MT expo. Este trabalho foi feito por iyamadesign para a marca Kamoi Kakoshi e já vinha como favorito pois, há algumas semanas atrás, tinha Ganho um Lapis preto no D&AD.

No Japão, as fitas adesivas eram muito comuns na construção, utilizada para marcar espaços e sinalizar perigos. Como tinham cores e padrões diversos acabaram sendo utilizadas para cobrir coisas, sinalizar áreas e dar vida nova a pequenos móveis, por exemplo. Foram feitas 3 exposições para explorar esses novos usos para o produto e esta, em Kobe, foi a maior.

Olhem as imagens abaixo, é impressionante. São 80.000 rolos de fitas cuidadosamente pendurados e alinhados. Isso sem contar todo o cuidado na montagem, feita totalmente a mão:

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Assista ao filme da instalação:

 

Este trabalho traz, pra mim, algo que admiro em demasia (pois tenho muito pouco) que é a suavidade e a delicadeza tão presente na cultura japonesa. A capacidade de planejamento, o cuidado, a capacidade de harmonia e execução que este povo possui é impressionante e, até para criar um link com o próximo trabalho que vou comentar – Isto é totalmente LOW TECH. Isso é algo que gosto de destacar pois os japoneses estão entre os povos – em minha opinião – que melhor combinam o “good craft” com o high tech.

Enfim, coloco isto em discussão e vamos ver a reposta. Isto é design gráfico pra vocês?

Continuando com a pergunta acima – isto é design – vamos para o outro lado. O lado da coisa super, ultra hyper tech. A ação da McCann New York, feita para a empresa de aviação Lockheed Martin, chamada “Trip to Mars” é um daqueles casos que eu chamo de “papa-prêmios” de grandes agências. Chamo assim cases que as grandes agências criam e que você vai ver eles brigando por prêmios em design, em promocional, em publicidade, em digital, enfim, onde você olha eles estão inscritos.

Veja o filme da campanha:

 

A ideia é fantástica. É fácil imaginar o nível de desafio tecnológico que eles enfrentaram para fazer isso. Ninguém questiona isso, agora eu pergunto. É design isso? É isso que gostaríamos de fazer ou ainda, é isso o que nossos clientes precisam que a gente faça?

Enfim, deixo a discussão pra vocês, eu só planto a sementinha da discórdia. HEHEHEHE

Leia a primeira reflexão do Joaquim sobre Cannes 2016 aqui 

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