Favelada, negra, catadora de papel, mãe solteira de três filhos e uma das maiores escritoras brasileiras, Carolina Maria de Jesus. Seu primeiro livro, “Quarto de Despejo”, publicado em 1960, tornou-se best-seller, foi traduzido em 16 idiomas e vendido em mais de 40 países. Mas, apesar da sua grande importância literária e social, Carolina é ainda desconhecida na academia.

Na tentativa de resgatar a história da escritora, Sirlene Barbosa e João Pinheiro criaram uma história em quadrinhos chamada Carolina. O título, que une pesquisa acadêmica com a nona arte, é um recorte biográfico da história de superação e declínio de Carolina e denuncia como é a vida de uma mulher negra periférica.

Filha de pais analfabetos, Carolina nasceu numa comunidade rural em Minas Gerais. Frequentou a escola por pouco tempo, mas aprendeu a ler e escrever e desenvolveu o gosto pela leitura. Após a morte de sua mãe, mudou para a capital paulista, aos 33 anos. Morava na favela do Canindé e trabalhava como catadora de papel para sustentar seus filhos.

Depois de longas jornadas de trabalho, a autora ainda tinha forças de chegar em casa, acender uma vela e com papéis limpos que sobravam de sua procura por recicláveis, escrever sobre o cotidiano da favela. “Socióloga da prática”, como classifica a pesquisadora Barbosa, Carolina tinha a genialidade em analisar, questionar e denunciar o que se tornam os seres humanos que viviam na favela.

O atrativo de uma história como essa é gigantesco e a conciliação da pesquisa acadêmica de Sirlene Barbosa – responsável pelo argumento da HQ Carolina – junto ao traço do ilustrador João Pinheiro foi eficiente para evocar a história da maior escritora negra brasileira.

Tanto que a HQ foi finalista do prêmio Jabuti em 2017 e ganhou neste ano o prêmio especial do Festival de Quadrinhos de Angoulême, na França, o maior evento da área no mundo. Confira algumas cenas de Carolina:  
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