ABCDESIGN > MATÉRIA-PRIMA DA CRIATIVIDADE

Hoje a Wolff Olins deu a notícia de que a Marina Willer foi uma das convidadas da Creative Review para falar em sua edição especial sobre logos.

Marina, como vocês sabem, é brasileira, diretora de criação da Wolff Olins e nossa palestrante no abcDesign Conference Wolff Olins junto com Karl Heiselman, CEO da empresa.

Quem pensa que não conhece o trabalho desta, deve estar enganado. Willer é responsável por vários cases de sucesso (claro, desenvolvidos em conjunto com a grande equipe da WO), como Tate Modern, Anistia Internacional, Beline (marca mais forte da Rússia por cinco anos consecutivos) Mcmillan, uma ONG inglesa que trabalha com o apoio de pacientes com câncer, Oi no Brasil e, mais recentemente, a Oxfam, também ligada a projetos sociais e Ambev.

Willer possui pós-graduação na Royal College of Art e tem uma carreira paralela com cinema. Ela já dirigiu curtas para a MTV, Centro Georges Pompidou, além de filmes experimentais e pessoais, como um documentário sobre o cartunista Henfil (feito junto com o diretor Fernando Kinas, clique para ver o film) e o poético “River Crossing”.

O trabalho com imagem em movimento, para ela, é mais que uma fonte de experimentação criativa, é um diferencial para desenvolver projetos de branding.

Membro da Alliance Graphique Internationaille (para o qual é preciso ser convidado), Marina Willer é motivo de orgulho para o design brasileiro, mesmo “emprestada” para a Inglaterra.

Para a edição 35, realizamos uma entrevista com ela, e, para você se convencer de vez que vai valer a pena comparecer no dia 11 de maio na ESPM, confira alguns trechos.

Anistia Internacional

 

abc: Como sua experiência com filmes te ajuda no desenvolvimento de projetos de branding?

MW: Para nós, branding é uma mistura muito grande de canais e formas do consumidor se relacionar com a marca, ele faz isso através da experiência. Um bom exemplo é o projeto da Oi, que teve muito mais pontos de contato que o design gráfico, como a Rádio Oi ou mesmo ações como colocar um avião para escrever o nome da marca no céu. Existem muitas dimensões para se trazer a marca “à vida”, como dizemos aqui. O filme, nesse sentido, é uma ferramenta boa para contar histórias.

abc: Foi um argumento em favor da marca das Olimpíadas de 2012, pensar em como seria a linguagem de 2012. Foi isso mesmo?

MW: A ideia foi essa, sim. Eu não participei do projeto diretamente, porque na época eu ainda não era diretora de criação da agência como um todo, mas o propósito era comunicar as Olimpíadas de uma forma longe do convencional, que é o que a maior parte fez.

A marca do Rio de Janeiro, por exemplo, é uma pena porque foi uma oportunidade perdida. Poderia ter sido brilhante, mas ficou conservadora, tradicional. Temos que pensar em qual vai ser o papel das Olimpíadas no futuro, no sentido de envolver as pessoas, de provocar reações e não apenas fazer um logotipo que existe quase que de forma isolada da vida. Contudo, o cliente nem sempre quer ir tão a fundo no trabalho de pensar em mais que o logo, pensar no tema.

Macmillan. Aumento em 27% o apoio financeiros depois de apenas um mês de lançamento do seu projeto de brandindg

 

abc: Estilisticamente, o que você achou ruim na marca das Olimpíadas de 2016?

MW: Quando vi, me lembrei da marca da candidatura para as Olimpíadas, que achei mais interessante. Tinha um espírito brasileiro, alegre e, embora tenha sido um logo desenhado pra cumprir só aquele papel, ou seja, não chegou a ser uma “marca”, estilisticamente tinha uma relação com o modernismo, que no Brasil foi muito forte, em sincronia com algumas das coisas que são reconhecidamente fortes do Rio de Janeiro. Na minha visão, a marca das Olimpíadas ficou convencional, literal e parecida com coisas que já existem. O que é uma pena, porque o Brasil poderia demonstrar mais seu potencial criativo.

abc: O que você acha que faz uma boa identidade, um bom logo?

MW: Nos dias de hoje, o logo de forma isolada não faz muita diferença para uma organização. O que ajuda é quando um logo serve de ponto de partida para uma linguagem muito mais abrangente. O logo para o Red, por exemplo, que é uma instituição de caridade criada pelo músico Bono Vox, inclui parênteses, ou seja, ela está sempre aberta a parcerias, porque a palavra fica associada a outras dentro dessa situação. A ideia da marca ser o começo de uma conversa é o que nos interessa, pois há a possibilidade de maior impacto. As marcas que temos feito procuram uma presença muito maior que apenas ser uma assinatura corporativa.

Beeline

RED

 

abc: Você voltaria a trabalhar no Brasil?

MW: Tenho, sim, muita vontade, mas o trabalho da Wolff Olins, que é excelente, me segura um pouco, e a trajetória do meu marido, que é diretor de criação de uma agência aqui, também é importante. Mas tenho sempre na minha cabeça a vontade de montar alguma coisa no Brasil, não só para ficar perto da minha família, mas também para fazer parte politicamente da construção do meu país.

Oi

Opiniões polêmicas, interessantes e uma experiência que poucas pessoas têm (embora um sortudo vai poder passar um mês trabalhando lá se quiser tentar. Basta participar do Wolff Olins Experience!)

Não perca a chance de conversar cara a cara com super representante do design nacional.

O quê: abcDesign Conference Wolff Olins http://www.abcdesign.com.br/conference/

Palestrantes: Marina Willer (diretora de criação) e Karl Heiselman (CEO)

Quando: 11 de maio de 2011, a partir das 08h00.

Onde: ESPM – São Paulo (Rua Dr. Álvaro Alvim, 123 – Vila Mariana)

Quanto: preço em março (R$ 310,00 não assinantes, R$ 250,00 assinantes).

 


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Matéria-prima da criatividade. | imprensa@abcdesign.com.br

1 comentário

  1. Muito bacana a maneira de pensar e de construir tendências, desta brasileira, que é um ícone em Design no mundo.
    Parabéns!

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