“We shape our buildings, and afterwards our buildings shape us”. Esta frase foi uma das primeiras da palestra de Garrick Jones, um design thinker convidado pelo Ibmec para a inauguração dos seus dois Think Labs, no início de abril, no Rio de Janeiro. Também músico e professor do London School of Economics, ele se referia ao pensamento do primeiro ministro inglês Winston Churchill na abertura do debate sobre a reconstrução da House of Commons, depois de ter sido bombardeada na Segunda Grande Guerra. Churchill desejava criar um ambiente apropriado às necessidades humanas, assim como os design thinkers. Essa frase vem sendo usada por diversos autores para mostrar a influência dos ambientes nos hábitos humanos.

Wanda J. Orlikowski (1), professora da Escola de Administração do MIT, diz que a relação entre design e administração oferece tanto possibilidades como armadilhas, invenções ou convenções, capacitação ou constrangimentos. Ela percebe que um bom design pode ser uma oportunidade para transpor os erros, as contingências, as improvisações da realidade física existente. Em bom português, se nós construímos ambientes constrangedores, eles nos irão constranger enquanto existirem. Uma sala de aula mal construída irá gerar indivíduos sem criatividade. Um quarto de hospital bem projetado pode apressar a recuperação de um paciente. Os espaços descontraídos das empresas do Vale do Silício estimulam a informalidade, o diálogo e a inovação.

Nas ruas mal projetadas das cidades, no anonimato, as pessoas reagem. Se os indivíduos percebem uma atmosfera pública que não atende suas necessidades, eles tenderão a adaptá-la, interferindo, improvisando, deixando seu recado para o sistema. A existência física humana precisa de atenção específica mais profunda e interdisciplinar, pressuposto básico da psicologia ambiental. No início deste ano de 2013, um estudo conduzido por Peter Barret, do Reino Unido, focou nas salas de aula, o cenário das inter-relações humanas do aprendizado (2). A pesquisa publicada em Building and the Environment constatou a previsão de Churchill. Pode ser atribuído aos recintos de ensino um impacto de 25%, positivo ou negativo, sobre o progresso dos alunos ao longo do ano letivo. O que pode oferecer uma disparidade de performance de 50% entre duas salas de aula, uma métrica bastante significante em qualquer lugar do planeta.

Pelo menos seis dos parâmetros estudados têm efeito significativo na aprendizagem. Por exemplo, a qualidade da luz ambiental (natural x artificial), a qualidade dos equipamentos necessários aos exercícios de ensino, além da complexidade e cores que significam o conjunto de estímulos visuais para os alunos. As outras duas variáveis consideradas foram a capacidade de conexão e a flexibilidade das salas. “Essa é a primeira vez que uma avaliação holística foi feita sobre a ligação entre ambientes e o seu impacto sobre as taxas de aprendizagem. O resultado é bem maior do que imaginávamos”, diz Barret que está conseguindo fundos para a continuidade da pesquisa. Diante da percepção de que o formato da educação tradicional não muda há séculos, os estudos sobre as possíveis mudanças recaem somente sobre as metodologias de ensino e sobre uma das variáveis do problema, o professor. A academia do hemisfério norte já está realizando experiências em criar recintos mais adequados para o desenvolvimento de uma cultura de maior criatividade para suas crianças e de empreendedorismo inovador para seus jovens.

Aqui no Brasil, o Ibmec, responsável pelo primeiro MBA em Finanças do país, investiu em ambientes mais incentivadores tanto para intensificar o relacionamento humano como para o desenvolvimento das habilidades criativas de seus alunos e professores. A novidade é que esse tipo de iniciativa é inédito em uma instituição superior que nasceu na área dos negócios. O Ibmec acaba de investir nos Think Labs, espaços inovadores que atendem às variáveis mais significativas da pesquisa de Barret, oferecendo aos usuários uma infinita flexibilidade no processo dinâmico do aprendizado. Qualquer metodologia de ensino pode ser praticada nesses ambientes luminosos. Todos os equipamentos são móveis ou desmontáveis, inclusive as paredes e as divisórias de vidro. O professor Garrick Jones, presente à inauguração, alinhou-o aos mais inovadores laboratórios do mundo.

A aposta do Ibmec foi na quebra dos paradigmas do ensino, oferecendo um palco para uma integração dinâmica entre os participantes, permitindo uma troca mais intensa entre o facilitador e os alunos que, assim, assumem a posição de protagonistas ativos da sua própria transformação. A proposta também englobou os ambientes de trabalho dos professores que, além de possuir um tranquilo escritório reservado para suas pesquisas, podem compartilhar e trocar informações com seus pares nos espaços comunitários. O conceito do projeto foi desenvolvido através da metodologia experimental do design thinking, um processo adotado em universidades de negócios no exterior. O resultado foi mais uma iniciativa do d.think, uma organização voltada para a divulgação e prática do design thinking no Brasil. Para todos os designers, é uma ótima notícia perceber que sua metodologia serve para melhorar a academia e os negócios. O Brasil precisa de uma plataforma mais criativa e transdisciplinar para o seu salto para além do seu presente tão carente.

Arte por: Bic Rafagnin

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