Morando no Brasil, o designer italiano Marco Zanini conta à abcDesign quais os legados deixados pelo inovador Movimento Memphis, do qual foi um dos fundadores

O cenário não poderia ser mais carioca. É numa rede na sacada de seu apartamento, de frente para o Pão de Açúcar, que o designer italiano Marco Zanini passa algumas de suas melhores horas. “Agora estou aproveitando a vida e só trabalho quando encontro alguma coisa que gosto de fazer”.

Foto: Nilton Fantesia

Foto: Nilton Fantesia

Zanini já fez muito. Ele foi um dos fundadores do chamado movimento Memphis, idealizado no final dos anos 70 por um grupo de designers, arquitetos e artistas liderados por Ettore Sottsass, um dos expoentes do design italiano do pós-guerra, célebre por seu trabalho à frente da Olivetti.

O Movimento Memphis rompeu com a visão estática que dominava o design até então, fundamentada exclusivamente na funcionalidade. Por meio de uma série de mostras coletivas, com peças e trabalhos nos mais variadas segmentos, da tapeçaria aos cartuns, passando, claro, pelo mobiliário, o grupo rodou por vários países, influenciando os rumos do design mundial. “O Memphis libertou o design sob os pontos de vistas estético e psicológico”, diz ele.

Depois de um período nos Estados Unidos, onde, não necessariamente nessa ordem, foi trabalhar, morar com uma namorada e viver intensamente a contracultura dos anos 70, Zanini começou sua carreira na Europa trabalhando justamente para Sottsass, em Florença. Em seus anos de Memphis produziu de tudo, de sofás e estantes a cerâmicas, mas sua obra é especialmente lembrada por seu trabalho com vidro, caso do famoso vaso Alpha Centauri. O italiano nascido em Trento, em 1954, decidiu se estabelecer depois de se casar com uma designer mineira, mãe do bebê Bianca, primeira filha do casal.

Enquanto se dedica à família e ao que seu conterrâneo Domenico De Masi chamaria de ócio criativo, Zanini desenvolve esporadicamente projetos de arquitetura e de design. “Agora, estou fazendo projeto para a reforma de uma casa em Seattle. No Brasil, estou trabalhando com uma consultoria para uma empresa que faz móveis para navios da Petrobras e plataformas. Só trabalho quando tenho vontade”, revela ele com um português que mescla algumas palavras em espanhol e outras em inglês.

Por Juan Saavedra

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