ABCDESIGN > MATÉRIA-PRIMA DA CRIATIVIDADE

No TMDG 2009, enquanto muitos estão aguardando nomes como de Alex Trochut, aqui, na abcDesign, estamos impressionados com o trabalho do estúdio africano The President, comandado por Peet Pienaar (leia “Piná”).

Primeiro porque pelas histórias contadas sobre o designer, descobrimos que ele é uma daquelas pessoas que não têm medo de chocar. Pienaar começou como pintor, e passou a fazer arte performática. Inclua aí uma auto-circuncisão ao vivo, com direito a exposição da pele numa caixa transparente e a entrada num evento com um carro, quebrando um painel que ele mesmo havia construído.

Segundo porque ele é um ávido defensor da cultura de seu país, e seus trabalhos usam e abusam desses elementos. Ornamentos, muitas linhas, elementos gráficos low-tech, iconografia de esportes, fontes dingbats. “Sejam verdadeiros a suas culturas, evitem imitações e abracem o excesso”, apontou ele em uma entrevista para a ID.

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Poster para loja Nandos

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Cartões para o escritório de pessoas desaparecidas contando a história de Thulani Nganga

Cartaz para festival de filmes gay e lésbico

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Branding Afro Cofee Austria/Africa do Sul

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Bruce Lee - revista que vem em duas versões Bruce para menino e Lee para menina. Revista toda criada por Pienaar, mas publicada por meio de um cana de música africano

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Outra edição da Bruce Lee

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Mesma edição

História sem palavras. A África do Sul possui 11 línguas. A ideia era recriar a história de forma que pudesse ser entendida por qualquer um.

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Identidade visual para bienal de arte da África do Sul, que foi críticada por parecer "racista". Pienaar rebateu que era só porque não tinha traços clean europeus no design

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Convite interativo para Mostra Jovens Curadores, 2008

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Poster de uma criança desaparecida feita por conta própria por Pienaar porque os pais dessas crianças não têm dinheiro para pagar por esse tipo de iniciativa.

Poster de uma criança desaparecida feita por conta própria por Pienaar porque os pais dessas crianças não têm dinheiro para pagar por esse tipo de iniciativa.

Foto emprestada na cara dura da I.D. para vocês terem uma ideia que figura parecer ser o Pienaar

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abcDesign – O The President é um estúdio de um homem só?

Peet Pienaar – Nós temos dois designers juniors, 2 estagiários, um diretor comercial e um gerente de produção. Muitos dos nossos trabalhos são impressos na China e muitos são difíceis de serem produzidos, então precisamos de um time que consiga fazer essa logística. Nossos estagiários mudam a cada três meses. Às vezes trazemos  estudantes que vêm trabalhar aqui por um fim de semana e às vezes estudantes de ensino médio vem para trabalhar por um dia.

2. Você disse que largou a arte pelo design porque o design lhe dava mais possibilidades. Que possibilidades são essas?

PP – O mundo da arte é muito limitado a galeria. O design me permite entrar na casa das pessoas, lojas, sinalização, em tudo! Atinjo muito mais pessoas por meio do design até porque ele é funcional.

3. Você fala muito de usar referências do seu país, e teve quem chamasse o seu trabalho de kitsch. O que, para você é o design africano?

PP – A África parece kitsch para o pessoal dos EUA e Europa, mas é simplesmente do jeito que é. Fiz muita pesquisa sobre o design na África procurando especialmente aquele design que não é feito conscientemente, como placas feitas à mão, literatura de mercado, etc. As fontes usadas são bem básicas na maioria desse design porque são as únicas fontes nos pc’s muito velhos que as pessoas têm para criar.

Humor também é muito importante para mim e também para o design africano. Gostamos de usar iconografia americana, mas sempre imprimindo um toque nosso. Por exemplo, na África você vai encontrar muitas lojas com o logo da Nike, mesmo se sejam padarias ou cabeleireiros. Nike acaba não significando uma loja de esportes, mas, sim, algo legal. Portanto recebe um novo significado. Coca-cola significa loja, não a bebida, e assim vai. Eu tento usar esses princípios quando faço meus projetos.

4. O que para você é importante comunicar com seu trabalho?

PP – Depende do brief e para quem estou trabalhando, claro. Mas o que sempre quero é fazer coisas novas e nunca copiar outros designers. Por isso nem costumo usar como referências visuais outros designers, mas sim arte e coisas simples, como a embalagem do meu café da manhã. Para mim é muito importante que qualquer coisa que eu faça se destaque do resto. Se eu faço uma revista, por exemplo, não vai ser uma “revista”, vai parecer mais com uma caixa ou uma fruta.

5. Existe uma cena forte de design na África?

PP – Sim, mas muito do que existe é copia, está se tornando cada vez mais Austrália ou América.

6. Já esteve na América do Sul? Quais suas expectativas com o evento?

PP – Essa é minha 5ª visita à América do Sul. Já estive 3 vezes na Argentina e uma vez no Rio. Simplesmente AMO a América do Sul, porque acho o lugar mais excitante no mundo no momento. Se pudesse, me mudaria para aí amanhã, sem dúvida. Acho que existem muitas semelhanças entre África do Sul e América do Sul. Somos ambos colonizados por Europeus, estamos ambos no hemisfério do Sul, então a luz e o curso das estações é parecido, ambos não se sentem reconhecidos pelo Ocidente ou que temos que ficar impressionando EUA e Europa. Mas também somos livres de uma história de design que está matando o design europeu no momento. Designers lá não podem usar qualquer fonte porque cada fonte tem uma história específica, ou as cores tem significados históricos. Nós somos livres disso e nosso design tem muito mais a ver com nosso coração do que com nossa cabeça, algo que assusta muito os designers europeus.

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