Hannah Beachler entrou para história com seu set design do filme Pantera Negra na cerimônia do Oscar 2019 na noite deste domingo (24). A artista americana é a primeira mulher negra a concorrer a estatueta na categoria design de produção e a conquistá-la.

O Oscar teve neste ano o recorde de maior número de prêmios para profissionais negros (7 estatuetas) e também para mulheres (15 estatuetas). Beachler, que conta com outras produções de sucesso em sua carreira, como o filme, Moonlight: Sob a Luz do Luar, fez um discurso emocionante e deixou o recado para os seus colegas:

“Quando pensar que é impossível, lembre-se desse conselho que recebi de uma mulher muito sábia: ‘Fiz o meu melhor, e meu melhor é bom o bastante’”.

A Estética Afrofuturista em Pantera Negra  

Dirigido por Ryan Coogler, Pantera Negra é a adaptação das aventuras do primeiro justiceiro negro criado pela Marvel na década de 1960 e conta a história de luta do rei T’Challa para defender Wakanda, um país fictício localizado na África. Através de um design que foge dos estereótipos africanos e da colonização, Beachler em Pantera Negra, utiliza a estética afrofuturista, um movimento cultural que resgata a história e mitologia africana, e as mistura com tecnologia e ciência.black-panther-marvel-set-design-002Em entrevista à revista americana de arquitetura e design, Dezeen, a artista comenta que trouxe para a cenografia do filme referências das obras da arquiteta árabe Zaha Hadid – conhecida por sua corrente desconstrutivista e prédios mirabolantes – em conjunto com referências arquitetônicas do sul da África, como as tradicionais cabanas, que apresentam telhados cônicos de palha e podem ser vistas na capital da Cidade Dourada de Wakanda.

black-panther-marvel-set-design-003Outra observação são os círculos espalhados por todos os cantos no filme, que segundo a designer referem-se a cultura africana. “Além de ajudar a relaxar, as formas circulares remetem ao renascimento, morte e vida, algo bem presente na cultura africana. Era extremamente importante imprimir isso no filme de alguma forma.”

A ideia “foi misturar coisas que já existiam em muitas culturas africanas diferentes e depois criá-las como se tivessem evoluído ao longo do tempo, inserindo isso em nossa nação ficcional”, relata Beachler. O que também é visto nos figurinos criados por Ruth E Carter, que incluem  peças impressas em 3D com base em roupas e acessórios de uma variedade de culturas africanas, incluindo Turkana e Maasai. A figurinista também marcou história: foi a primeira mulher negra a levar a estatueta de “Melhor Figurino”.

 

 

 

 

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