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Um fato inédito ocorreu este ano na Experimenta Design, uma obra foi censurada. Criada especialmente para a bienal, o manequim feminino pintado de dourado, de Catarina Pestana foi impedido de ser exposto por usar um vibrador.

A designer foi uma das convidadas da campanha da Coca- Cola Light “O Menino da Lágrima”, que convidava as pessoas de Portugal a trocarem objetos kitsch por uma latinha do refrigerante. Os objetos que a empresa recebeu foram distribuídos a artistas convidados, para que fossem usados como matéria prima de novas obras. Essas obras seriam expostas no Experimenta Design, que acontece até novembro.

Mas não foi o que ocorreu com Catarina. Só depois de entregar a peça que ela soube que sua obra não seria exposta. A marca alegou que a obra só seria exibida se a artista tirasse o vibrador, porém ela recusou “nunca fez parte dos planos não poder deixar de fazer algumas coisas” disse ao Diário de Noticias de Portugal. Aqui ficam os primeiros questionamentos, seria justo essa censura? A liberdade de expressão da artista poderia ferir a imagem da empresa?

Segundo Catarina, não havia nenhuma orientação no briefing quanto à necessidade de se fazer um objeto funcional “fiz uma peça de comunicação, daquilo que se chama design emocional” disse ao Público. Aqui você se pergunta, como assim uma empresa como a Coca-Cola não se preocupou em ser especifica quanto as regras dos produtos? Pois bem, não haviam regras. E talvez a explicação para isso seja outra polêmica.

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Os designers convidados para desenvolver as peças não receberam nenhum tipo de remuneração. As entidades apenas ofereceram os objetos trocados pelos portugueses. Qualquer material a mais que o designer precisasse teria que ser bancado  do seu próprio bolso. Então além de não ganhar nada pelo serviço prestado, eles tiveram de pagar para trabalhar? Isso mesmo.

O que leva uma empresa da dimensão da Coca-Cola a criar uma campanha e não se preocupar com a remuneração de quem vai lhe prestar o serviço final? Falta de verba, não pode ser. Seria a convicção de que os designers vão se sentir lisonjeados por prestar serviço a uma grande empresa, e por isso farão voluntariamente? Ou é a velha desvalorização do trabalho do artista e do trabalho do designer? “Faz uma artezinha aí”…

Vale a pena ler: 10 mentiras para enrolar designers e ilustradores. (Em português) e o original em inglês

Edit:

A polêmica obra de Catarina Pestana já foi comprada! O empresário, Joe Berardo é o mais novo propretário da peça. Porém existe a possibilidade da obra ser exibida pela autora em certas circunstâncias.

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