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Uma das grandes descobertas que fizemos ao conversar com Bruno Porto em termos de novidade boa em arte, foi o artista e designer Chen Hengfeng, de 35 anos. http://www.chenhangfeng.com/

Nascido em Xangai e graduado pela Escola de Belas Artes da cidade, Hengfeng tem feito um barulhinho ainda pequeno fora do seu país pela qualidade do seu trabalho. O que ganhou mais destaque foi a sua série Logomania, em que ele usa logos de marcas de luxo ou apenas ubíquas para criar padrões que ele concretiza de várias formas. Uma delas, e sem dúvida a mais chinesa de todas é o papercutting, técnica artesanal amplamente utilizada no país.

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Os padrões são montados no computador e depois cortados com estilete. Peças grandes ele demora algo como 40 a 50 horas para cortar todos os detalhes. Apenas a imagem de fundo branco e a de fundo preto são em impressão mesmo.

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A Logomania foi parar em tapetes, luminárias e em um biombo.

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Luminária feita com peças catadas no lixo.

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Nem precisa comentar, certo?

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Esse desenho feito em arroz foi a última refeição de 30 galinhas que alimentaram os artistas que participavam de um workshop em Londres.

Hengfeng, em uma entrevista ao ICS disse que esses trabalhos, sim, são uma forma de questionar se essas marcas são mesmo o que se quer comprar, se são verdadeiramente necessárias. Unindo isso aos crafts chineses o designer acaba apontando uma contradição, que sem dúvida é evidente no contexto chinês. Afinal, até pouco mais de 30 anos atrás, era um país comunista.

Não é só protesto que move Hengfeng. Ele próprio é um designer, e em seu escritório ICandy (http://www.icandydesign.cn/)  realiza trabalhos comerciais, que são muito bons por sinal. Mas a vontade de expressar certas contradições sempre aparece em seus trabalhos mais autorais. Como o lustre feito com objetos catados no lixo e a imagem alternativa para o mote “Just Do it” da Nike.

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