Se você está passeando por Berlim, pode conferir amanhã o lançamento do livro “Open Design Now” que reúne 15 ensaios falando sobre o tão debatido open design e abordando temas como novos modelos de negócio, questões de copyright, sustentabilidade, educação e crítica social.

Embora extremamente defendido, trabalhar dessa maneira ainda é um mistério, um desafio e um processo que, se se consolidar, vai ser em longo prazo. Mas tudo tem começar de algum lugar, certo?

No site do livro, Michelle Thorne (do Mozilla) apresenta um artigo em que coloca alguns dos desafios de se trabalhar considerando o consumo colaborativo, uma das linhas defendidas para se tentar frear o excesso da sociedade atual. É a velha história da furadeira em casa. Pensem em quantas vezes você efetivamente usou a furadeira. É o tipo de objeto que não é nada necessário ter em casa e poderia ser facilmente compartilhado.

Leiam, reflitam e quem sabe surge uma boa ideia…

Crie com camadas abertas: Pense na inter-operabilidade dos componentes-chaves. Como você pode usar padrões abertos que permitam modificações, remixagem e melhorias no produto? Como essas camadas podem ser aplicadas a motores, extensões elétricas, conectores, etc. para o máximo de customização e ampliação de uso?

Construa com modularidade: Objetos que são compartilhados devem ser fáceis de serem consertados e modificados. Não devemos jogar um telefone inteiro só porque ele está riscado. Construir com modularidade é estimular a regeneração dos produtos.

Valor agregado por meio do uso: Esse é um dos mais poderosos desafios do design. Pense num objeto que ao invés de depreciar com o tempo, ele melhora. Um exemplo é a luva de baseball [meio longe da nossa realidade, mas tudo bem…]. Quando compramos, ela está dura e difícil de pegar a boa. Com o tempo, com o uso, se torna mais flexível e um produto melhor. E isso na camada física. E o valor agregado numa camada informacional? Pense em como objetos podem aprender com os comportamentos à medida que são usados. Ou em que o usuário contribui com informações, como quando colocamos notas nos livros e fazemos resenhas.

Personalize os objetos compartilhados: Você está familiarizado com os celulares que são usados por muitas pessoas? Cada um insere o seu próprio cartão SIM e todos os detalhes da conta estão disponíveis [acontece em países como no continente africano ]. A personalização segue o usuário, não o dispositivo. Será que isso pode ser aplicado em outros produtos e serviços? Carros, impressoras, geladeiras, máquinas de café ou até furadeiras?

Diversificando as bibliotecas: Bibliotecas não são só para livros. Pense em outras formas de compartilhar recursos, seja com intuito comercial ou comunitário. Você pode ter bibliotecas de ferramentas, de eletrônicos, de utensílios de cozinha, caixas para mudança, joias e acessório, decoração de festa, brinquedos, etc. É um potencial enorme. Existem muitas oportunidades de negócio neste sentido, assim como muitos desafios a serem enfrentados por pessoas criativas e aventureiras.

Vamos quebrar o molde: Não faça design para ser jogado no lixo. Não crie para o hiper-consumismo do século XX. Projete coisas que duram, que possam ser divididas e para ser parte do futuro: um futuro de consumo colaborativo.

O que acharam: utopia ou tendência?

 

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