Fotos Cícero Cavalli

Fotos Cícero Cavalli

 

Semana passada, a convite de Electrolux, participei de um workshop durante o Design Innovation Labs, parte da Bienal Brasileira de Design. O tema era design emocional, e confesso que não era bem o que eu esperava. Achei que íamos falar de Donald Norman e as tendências de estética orgânica dos produtos e não foi nada assim.

Cheguei na “sala” e na verdade estava numa cozinha super equipada na Universidade Positivo. Ganhamos até avental e chapéu de chef. No fim, a ideia era falar da emoção que vem tomando cada vez mais conta das cozinhas brasileiras (e do mundo).

Fernando Zeni, Daniela Caldeira e

Fernando Zeni, Daniela Caldeira e Luiz Roberto Amaral

 

Primeiro, o gerente de design da empresa, Fernando Zeni, fez uma apresentação de algumas ideias da empresa para o futuro, mas a discussão foi em cima mesmo das tendências que vêm influenciando o design de produtos para a cozinha. E aí entrou a parte boa do workshop.

Sabemos que estamos passando por algumas mudanças de comportamento por conta de vários fatores. Claro que queremos facilidade num ambiente como a cozinha, com tecnologia e se possível sistemas integrados, que ajudem no gerenciamento da casa, fáceis de usar, de limpar, etc. Mas tem muitas outras coisas influenciando o design desse segmento.

Comportamento

Mudanças de comportamento como os hábitos alimentares (estamos todos querendo ser mais saudáveis), a questão da segurança (muitas vezes optamos por ficar mais em casa e evitar os “perigos” das grandes cidades), e o consequente aumento de pessoas que costumam receber os amigos em casa para um jantar, um almoço, têm colocado muito mais foco na cozinha ultimamente. “Ela volta a ser o coração da casa”, acredita Zeni.

Isso não vem refletindo somente na indústria de eletrodomésticos, como também nos layouts dos apartamentos, que têm privilegiado a área social novamente, algumas com espaço gourmet e tudo mais. E não pensem que isso se reflete apenas em grandes e luxuosos apartamentos, a configuração atual muitas vezes integra a cozinha à sala, fazendo esse conjunto o novo living.

As razões disso foram muito debatidas durante o workshop. Por exemplo, apontaram que, depois da individualização e do “isolamento” que a internet incentivou, passamos a querer voltar a ter mais contato pessoal, “tête-a-tête“. Assim, passamos a receber mais pessoas em casa, a fazer “vaquinha” pra comprar a comida e a cozinhar juntos dividindo cada vez mais o ambiente.

Isso sem falar do “boom” que tem tido a culinária por conta até de hábitos mais saudáveis. Veja quantos programas de televisão tem tratado deste assunto e quantos cursos de gastronomia, degustação de vinhos, gourmand, etc., têm surgido. E foi mais ou menos nessa linha que o workshop seguiu seu rumo.

Testando as emoções

Workshop é um tempo para praticar, e não só de debater. E como estávamos falando de comida, cozinhar e emoções, quem assumiu a aula foi a chef de cozinha Daniela Caldeira, que abordou todos os sentidos envolvidos na arte da culinária. Experimentamos vinho em diferentes copos – do plástico ao cristal -, testamos a diferença que o visual da comida tem no gosto da comida e sentimos cheiros de várias essências.

Depois, foi a nossa vez de arriscar de chefs em conjunto, o que foi divertido pra entender como acontece a dinâmica de cozinhar em equipe.

Fotos Cícero Cavalli

Fotos Cícero Cavalli

 

A única coisa que senti falta – mas certamente foi por falta de tempo – foi pegar todas essas informações e sensações do dia e tentar projetar algumas ideias de produtos para essa realidade de hoje em dia.

De qualquer maneira a Electrolux está de parabéns por realizar um workshop que falou de design falando muito pouco de forma e função, e que, sim, focou aquilo que está por trás da criação desse tipo de produto, o comportamento das pessoas.

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