No dia 23 abril, na fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia, foi divulgado o design interior do novo Ecosport, com lançamento previsto para o segundo semestre deste ano. A convite da empresa, a abcDesign esteve lá e conferiu o visual do carro.

Para saber um pouco mais sobre o novo modelo da empresa, nós conversamos com o gerente do Estúdio de Design da Ford América do Sul, João Marcos Ramos. Entre outros assuntos, ele falou sobre os processos de desenvolvimento do design do carro, cores e tendências. Confira!

abcDesign: Tanto o design exterior quanto interior do carro são desenvolvidos simultaneamente, ou primeiro é definido um para que depois possa ser estabelecido o outro? 

 

Ramos: Há uma pequena diferença de tempo, ou seja, inicia-se o exterior primeiro e, por volta de três meses depois, inicia-se o interior; quando já há uma linguagem estabelecida ou pelo menos direcionada.

 

abc: Quando um engenheiro não concorda com algum detalhe do design do carro, como é resolvida a questão entre ambos os departamentos?  

 

Ramos: Não existe “um engenheiro não concordar”. As áreas de Design e Engenharia trabalham muito alinhadas e o que a engenharia faz é viabilizar tecnicamente as propostas de design. Se há algum problema técnico, este é discutido com os designers até que se chegue em uma solução que primeiro atenda a aparência, mas que também seja viável tecnicamente.

 

abc: O novo Ecosport levou três anos para alcançar a etapa de lançamento. A equipe de designers trabalhou durante todo este período? 

 

Ramos: Sim, trabalhou e ainda está trabalhando para assegurar que o produto final tenha o design final exatamente como nós idealizamos.

 

abc: Como é feita a seleção de cores dos carros que serão fabricados? 

 

Ramos: Cores são sempre um tema bastante complexo. Cores externas e cores internas são amplamente discutidas, não só internamente pelo time de Design, mas também junto às equipes de Marketing e Vendas, que terão que comercializar o que for proposto. Ou seja, de nada adianta uma cor maravilhosa, que seja tendência, se a área de Marketing e Vendas não conseguir vendê-la aos clientes.

 

abc: O público não opina na decisão final das cores do modelo a ser lançado. Como é possível saber se haverá aceitação das cores escolhidas? 

 

Ramos: Existem empresas que se dedicam a estudar e a determinar as tendências de cores para diversos setores que vão de vestuário até a indústria automobilística. Elas determinam o que será tendência em três ou quatro anos e, baseados nesses estudos, sempre muito amplos, escolhemos as cores que usaremos.

 

abc: Quanto tempo antes de ser lançado o carro é feita a decisão final das cores? 

 

Ramos: Em geral, dois anos antes do lançamento para que todos os testes possam ser feitos de forma a garantir a qualidade final quando esta cor estiver em linha. Ou seja, testes técnicos de intempéries, resistência, aplicabilidade, etc.

 

abc: O novo Ecosport será exportado para outros países, como Índia e China. As mesmas cores escolhidas para o Brasil também farão parte do modelo vendido lá fora, bem como da campanha promocional de vendas? 

 

Ramos: Existe a cor de lançamento – Mars Red – que será comum a todos os mercados e que foi apresentada aqui em Camaçari, no último dia 23/04. Mas, cada planta onde o veículo será fabricado trabalhará com cores mais adequadas ao gosto do consumidor local.

 

abc: Quais são as etapas no processo de desenvolvimento do design do carro? 

 

Ramos: São diversas as etapas. Segue um breve resumo:

  • Inicia-se com os estudos conceituais, onde não se avalia Design e sim qual o tipo exato de veículo que será desenvolvido.
  • Escolhido o conceito, inicia-se o trabalho de desenvolvimento de propostas em 2D (duas dimensões – em desenhos), sempre criando uma gama de temas, que pode ir do mais ousado ao mais conservador. A ideia com este material é captar, numa 1ª clínica com os clientes, exatamente onde se enquadra o gosto destes. Chamamos esse ponto ideal de “sweet spot”.
  • O momento que este ponto é determinado, inicia-se o desenvolvimento de propostas de Design em si (estilo), ainda em 2D, ou seja, em papel.
  • Em paralelo, é feito o estudo tridimensional das proporções do veículo, eletronicamente, colocando-se a mecânica e os passageiros, bem como capacidade do porta-malas. É feita uma 2ª clínica com consumidores usando-se agora desenhos com propostas de design.
  • Verifica-se o que é aceito e o que é totalmente rejeitado. Há sempre uma filtragem no que se tem de retorno, pois pensamos sempre três anos a frente, e o cliente usa o que ele conhece hoje, o que vê nas ruas, para balizar suas opiniões.
  • É iniciado, então, o desenvolvimento de modelos em escala real em argila, onde são representadas as proporções e ideias dos designers. Em geral, são dois modelos com temas bem distintos – os mais cotados na 2ª clínica – para que possam “competir” entre si.
  • Uma 3ª clínica é feita agora com estes dois modelos, em cópias de fibra de vidro (em escala real, como veículos de produção), que são colocados junto a veículos da concorrência para que sejam novamente avaliados. Desta clínica são avaliadas as propostas em si, contra o que há no mercado e define-se a proposta “ganhadora”.
  • Volta-se para o estúdio e esta proposta é então refinada, não só em termos de design, mas junto à Engenharia e Manufatura; para que tenhamos certeza que ela é viável tecnicamente e possível de ser fabricada.
  • Uma vez que tenhamos o design refinado, que ele seja viável tecnicamente, atinja os custos estabelecidos e atenda ao gosto dos mercados envolvidos, liberamos a superfície eletrônica para a Engenharia, para que o desenho das ferramentas seja terminado e as peças possam ser fabricadas.
  • O mesmo processo é feito para o interior do carro, bem como o trabalho do time de Color & Material (que define as cores externas, tecidos, texturas e materiais de acabamento), desenvolvido em paralelo.
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