Mariana Di Addario, Christiano Braga e Ericson Straub

A Apex (Agência Brasileira de Exportação e Promoção) tem sido a principal parceira da Abedesign no trabalho de fomentar o design brasileiro, tanto interna como externamente, desenvolvendo estratégia de divulgação, de informação aos empresários brasileiros e de promoção no exterior.

Conversamos com Christiano Braga, gerente de projetos de economia criativa da Apex, durante Cannes Lions para entender melhor quais são as estratégias da agência, os potenciais inexplorados e a responsabilidade dos designers para se chegar aos melhores resultados.

abcDesign: Quais as atribuições da Apex e a relação com a Abedesign?

Christiano Braga: A Apex é uma agência de promoção que apoia, com o auxílio do governo, cerca de 70 segmentos da indústria, entre eles o design. Há cinco anos estamos em parceria com a Abedesign para juntos promovermos o serviço de design.

Entre nossas estratégias, está a presença aqui no Festival de Cannes Lions, que é consolidado na área de comunicação e há quatro anos abraçou o design. A participação aqui em Cannes é importante tanto pelo aprendizado que os designers podem ter e, sobretudo, por essa primeira tentativa de uma missão empresarial em que trouxemos possíveis compradores de design no Brasil.

abcDesign: A Apex apoia o design tanto externa, como internamente. Como isso acontece?

CB: Começamos trabalhando com a venda dos serviços e apoiando dois importantes prêmios nacionais. O DEBrazil, que cuida das inscrições para o iF, coordenado pelo Centro de Design, e com a Objeto Brasil a versão nacional do IDEA, que é muito importante nos EUA. Mas vimos que isso não era suficiente. Não adianta o produto brasileiro feito pelas indústrias não incorporar o design. Então, agora trabalhamos em prol dessa inserção nesses 80 segmentos que apoiamos.

Como as empresas já não competem mais por preço e o governo brasileiro está apostando na inovação como driver da economia nacional, o design é o elemento que faz a ligação entre a criatividade e a tangibilização do produto, do serviço.

abcDesign: Sabemos que o Brasil tem uma imagem de um país muito criativo. Mas como podemos canalizar isso de forma efetiva?

CB: O desafio maior é as empresas incluírem o design como ferramenta estratégica e deixar de ver como apenas solução estética. Precisamos sensibilizar esses empresários, mas é um trabalho que envolve mais que a Apex, Abedesign e escritórios de design.

Por isso estamos desenvolvendo uma pesquisa junto ao Sebrae para entender os diferentes segmentos da indústria, porque é muito difícil ter uma estratégia quando não se tem informação. É preciso conhecer as demandas, os gargalos e quem é mais apropriado para resolver. Por outro lado, a pesquisa vai mapear o próprio segmento de design, onde estão os talentos, quais as universidades, as estruturas das empresas, seus modelos de negócio e tendências mundiais.

O Luciano [Deos, presidente da Abedesign] comentou algo muito importante ontem. O projeto que foi Grand Prix deu a tônica do que é importante em relação ao design hoje, que é a experiência da marca e do produto, e o design é uma ferramenta essencial para isso.

abcDesign: A gente vê que existem muitas iniciativas para que o design dê certo no Brasil, mas qual é, na sua opinião, a responsabilidade dos escritórios e agências nesse contexto?

CB: Eles têm que transpor alguns desafios. Um dos principais é o modelo de negócios que não é adequado para as demandas do momento atual. Temos pouquíssimos escritórios que trabalham de forma multidisciplinar. Então adaptar esses modelos é um dos deveres de casa, na minha opinião.

Por outro lado, estamos insistindo com a Abedesign que eles nos ajudem a sensibilizar os empresários em relação ao design, desenvolvam com a gente uma metodologia, uma linguagem comum sobre o que é o design, como ele agrega valor. Ao mesmo tempo temos que customizar essas informações, porque o design entra nos mais diversos segmentos, desde a aeronáutica a sapatos, por exemplo, e são abordagens muito diferentes.

abcDesign: Quais os setores com mais demanda?

CB: Existe uma procura muito grande em relação a embalagens, mas ainda temos muito poucos escritórios focados em produto, como maquinário e design para a tecnologia.

abcDesign: As agências brasileiras ainda não estão alinhadas à tendência mundial de escritórios de branding que desenvolvem desde o conceito da marca, sua comunicação e estratégia. Qual a sua visão disso?

CB: No Brasil essa separação é ainda muito evidente. Podemos não acreditar nisso, mas é. As agências de publicidade já têm um modelo de negócios muito consolidado, mas existe cada vez mais um discurso sobre convergência entre as disciplinas, mas não sabemos bem como é a relação entre as duas [agências de design e de propaganda]. Eu sempre falo que é muito difícil ainda explicar a diferença para quem não é da área numa peça o que é publicidade e o que é design.

abcDesign: Dentro desse feedback que você tem recebido dos escritórios de design, a qualificação tem sido abordada?

CB: Sim, é uma questão importante. Desde em pontos simples, como apresentar uma peça de festival até entender o mercado, inclusive internacional, para adaptar o modelo para as exigências lá fora e entender os mercados que interessam e em que temos chance. Será que vale a pena tentarmos ir para os Estados Unidos, ou podemos explorar melhor nossas relações com a América Latina, que é mais próximo e culturalmente mais parecido?

É importante lembrar que o Brasil vai receber muitos investimentos de fora nos próximos anos e as empresas de fora vão se instalar por aqui. Nesse sentido os escritórios brasileiros, que entendem os consumidores e a cultura local, vão ter boas oportunidade e aí entra a capacitação.

 

Compartilhe: