Em Cannes Lions 2011, o design brasileiro está sendo especialmente representado por Luciano Deos, diretor da Abedesign e presidente do júri da categoria este ano (cujo resultado sai na quarta-feira) e pela designer e professora Ellen Kiss, que fez o primeiro workshop do evento neste domingo.

Kiss trabalhou com os participantes – a maioria publicitários – o design thinking como ferramenta de inovação. Sem entrar em questões muito filosóficas, ela quis mesmo foi mostrar como isso acontece na prática.

O tema do workshop não poderia ser mais gostoso: Como o design pode melhorar a situação de comer no trabalho. Qual pode ser o próximo lanchinho que vai ser sucesso nos escritórios? “Escolhi a culinária porque é um processo criativo e pode ser facilmente comparado ao design thinking, que é aprender fazendo”, comenta.

A metodologia seguiu três fases. Divididos em grupos, eles levantaram as questões envolvidas nas três variáveis: o ato de comer, o de trabalhar e o ambiente. Nesse brainstorm as pessoas percebiam os diversos problemas que poderiam ser resolvidos, como a sujeira que isso faz, a atenção que temos que continuar dando ao trabalho, o cheiro que pode atrapalhar os colegas, etc.

Depois, eles precisavam cruzar essas informações e apontar as palavras-chaves em relação a cada uma das variáveis. “Essas são as necessidades que embasam o conceito”, explica Ellen. Com as palavras-chaves escolhidas, os grupos tinham que transformá-las em ingredientes para dar forma uma concreta a essas necessidades.

Com diferentes alimentos à mão, eles puderam partir para criar o novo produto baseando-se nos ingredientes escolhidos. Os resultados foram os mais variados. Desde uma colher de cenoura feita para tomar iogurte, um palitinho de biscoito com rodelas de frutas queijo e até uma maçã recheada de nozes e frutas secas. Tudo seguindo a linha do “aproveitando ao máximo, desperdício mínimo”.

“Esta metodologia é muito boa porque desconstruímos a situação para encontrar os problemas, conectamos as situações e visualizamos os conceitos para voltar a construir, mas agora uma ideia”.

Para finalizar, Ellen enfatizou que, independente de qual seja o tipo de projeto, observar o comportamento das pessoas nos suas situações mais cotidianas ainda é a melhor forma de chegar a uma inovação. “Às vezes gastamos tempo demais criando mais e mais coisas quando poderíamos observar mais de perto como as pessoas estão lidando com os objetos que já existem e melhorar o dia a dia a partir disso. Essa é uma das mais importantes funções do design”.

Veja no canal da abcDesign alguns vídeos feitos durante o workshop.

 

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