Imagem CC http://www.flickr.com/photos/opensourceway/

Jonah Lehrer, autor do livro “How We Decide” é um jornalista especializado em neurologia. Seu último empreendimento foi entender a ciência por trás da criatividade e foi saber quais as pesquisas que estão sendo realizadas neste sentido. Os resultados estão no seu próximo livro “The Science of Creativity”.

Um dos desafios que os cientistas se propuseram a entender é como acontece o famoso insight ou momento do Eureka que tantos criativos procuram. Como é impossível prever quando isso vai acontecer, os estudiosos aplicam testes de associação de palavra que dependem do insight para dar continuidade à sequência.

O que eles descobriram é que o insight é dividido em dois momentos, o que vem a ideia e o da certeza que a ideia está certa. Nos milisegundos em que isso acontece, é ativada uma parte do cérebro que tem a ver com interpretação de metáforas e por isso os cientistas sabem dizer se a pessoa vai ou não ter um insight.

Para ter um insight precisamos estar num estado de relaxamento. Então a história do “se você está empacado, vai dar uma volta, tomar um café e arejar a cabeça” é muito verdadeira. Esses estados de insight têm a ver com as ondas alfas no nosso cérebro e quando estamos focados num problema só vemos o problema.

O ambiente também influencia. Foi feito um teste em que se pedia para pessoas diferentes resolverem um problema, uma num quarto vermelho outro num quarto azul. A pessoa no quarto azul teve duas vezes mais insights que a outra, porque vermelho é uma cor restritiva, nos faz lembrar de sangue, perigo. Já o azul é uma cor que nos ajuda a relaxar, nos lembra de céu, praia… bem mais aberto.

No entanto, relaxar não é a única saída. “Criatividade é um verbo plural. Existem muitas formas de se achar novas ideias”, falou Lehrer.

Já tiveram aquele sentimento de que a resposta está na ponta da língua, mas você não tem certeza qual é? É o que ele chamou de feeling of knowing, a vozinha que fica nos dizendo “vai em frente, você sabe isso”. É essa a hora de focar, de trabalhar horas e horas seguidas para finalmente encontrar aquilo que já está dentro de você. É a boa e velha intuição, mas o resultado vai depender do foco.

Criatividade em grupo é cada vez mais importante, já que nossos problemas estão ficando cada vez maiores e a cocriação é cada vez mais comum.

Lehrer destacou dois elementos como importantes se criar em grupo. Que as pessoas a equipe se conheçam, mas que também existam participantes de fora e até sem experiência no assunto. A harmonia entre as pessoas pode dificultar novas ideias e quem está de fora geralmente não tem os mesmo preconceitos de quem está habituado ao assunto.

Ele também acabou com o conceito de que brainstorm é uma forma eficiente de se conseguir boas ideias. É um método que inibe a crítica. Segundo ele, em grupos em que houve a possibilidade de apontar as falhas de uma ideia, a pessoa vinha com mais ideias e melhores depois de um tempo. “Empresas reconhecidas pela qualidade de suas ideias, como a Pixar, veem a crítica como uma forma rápida de aprimorar a criação porque não se deve evitar a falha, mas deve-se falhar rápido para poder arrumar”.

Se o assunto te interessou e você quer saber mais sobre as descobertas de Lehrer, assista à palestra completa no vídeo abaixo com a participação do Draftcb. Laurenco Boschetto e Matthew Wilcox intervêm durante a fala de Lehrer para mostrar como eles aplicam os conceitos que ele levantou em seus projetos.

 

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