Para a nova edição da abcDesign, escrevi um artigo sobre projetos pessoais e um dos trabalhos que me indicaram foi o Branding Wars, desenvolvido pelo Freehand Profit, pseudônimo de Gary Lockwood.

Basicamente ele pega tênis novinhos e destrói os bonitos para transformá-los nessas incríveis máscaras de gás. Esteticamente elas são muito interessantes e bem feitas, mas num primeiro momento me pareceu algo meio sem propósito, só “ah, legal, Guerra nas Estrelas…”.

Mas aí que mora a beleza de um projeto que parte de uma necessidade pessoal, achar o seu jeito lidar com questões e dúvidas que rodam (quando não atormentam) a cabeça criativa. Olha só o que o próprio Lockwood escreve:

“De muitas formas, estas máscaras representam o mundo através do olhar de um sneakerhead (um apaixonado por sneakers). Entre essas muitas imagens de publicidade, somos constantemente lembrados que mundo está se despedaçando nas mãos da guerra. […] Meu trabalho tentar fazer alusão a várias questões incluindo identidade e consumismo numa sociedade em guerra. […] A escolha por usar tênis como ‘ objetos de desejo’ é uma forma de eu lidar como meu próprio materialismo.

Não estou aqui para condenar o consumismo, mas examinar seu papel de forma a manter um certo alerta. Cada peça começa com a destruição de algo que eu acredito que tenha valor, o que me força a admitir para mim mesmo que existem coisas mais importantes, como minha arte, do que só um novo par de tênis (uma blasfêmia, eu sei, mas honestamente…).

A máscara de gás pode ser aquela vozinha chata no fundo da nossa mente super ocupada que diz ‘enquanto você está aqui esperando na fila pelo novo par de Js, tem pessoas morrendo e lutando pelos direitos e necessidades mais básicos do ser humano’. Por outro lado, a máscara de gás é um ícone da comunidade do graffiti. [Quando] eu uso máscara não é só pra proteger meu pulmão, mas também minha identidade. É um testemunho da ideologia de ir para guerra usando arte como arma.

O Branding Wars é uma luta entre o consumidor feliz e a mente consciente. Reconhecer o nosso materialismo sem ignorar os problemas que a sociedade enfrenta.

Me perdoem se parece que estou fazendo discurso ou se pareço incoerente. […] Meu trabalho, como toda forma de arte, está aberto a interpretação. A verdade é que estou descobrindo e ajustando minhas ideias e abordagens ao Branding Wars”.

Para mim, vendeu bem  projeto e fico esperando para ver as outras máscaras que vão aparecer…

As bonitinhas estão a venda, e, sim, custam caro.

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