equipe

Da esq. para a direita. Jenifher Schimidt (gerente de vendas da Infolio), Mariana Di Addario (jornalista da abcDesign), Wilgor Caravanti (diretor executivo da abcDesign) Lorenzo Apicella, Paula Scher, DJ Stout, Rico Lins, Ericson Straub e Marina Chaccur.

 

Que semana foi essa que passou! Desde sábado com nossos mais novos amigos DJ, Lorenzo e Paula, que aguentaram muito bem uma semana cheia de compromissos, que começou cedinho, lá pelas 6 da manhã (horário em que os aviões chegaram).

No primeiro dia, já tinhamos compromisso com a Bebel Abreu – do grupo Abril, e Marina Chaccur, que faria a mediação do debate no Conference. Almoçamos no MAM e visitamos a exposição Puras Misturas, de Adélia Borges.

Almoço no MAM. A Bebel Abreu é a da ponta direita.

Almoço no MAM. A Bebel Abreu é a da ponta direita.

 

Depois, fomos visitar a exposição de Kiko Farkas, um velho amigo de Paula Scher (ela inclusive escreveu a introdução do seu mais novo livro “Cartazes Musicais”). Como todos os dias que se seguiram, este foi regado a risadas e piadas, especialmente vindas de Lorenzo, com seu humor inglês.

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Visita à exposição de Kiko Farkas

 

Segunda já era dia de trabalho para eles, no grupo Abril – parceiro nosso nessa empreitada de trazer o Pentagram ao Brasil – Paula Scher e DJ Stout fizeram cada um uma palestra para os designers da editora. Paula focou a relação entre seu uso da tipografia e sua visão de Nova York, e como a questão dos prédios, da arquitetura urbana influenciou sua estética.

DJ falou de seus muitos redesigns de revistas, e como seu público era basicamente de profissionais da área, ele focou os detalhes e características que fazem uma publicação visualmente de qualidade para se destacar entre as concorrentes. E claro, falou das muitas alterações pedidas pelos seus clientes (nem Pentagram escapa disso!). Quem documentou as palestras foi nosso amigo Henrique Nardi, que postou inclusive vídeos no Flickr.

No dia 13 de abril, aconteceram os workshop com cada um dos designers. Um dia inteiro com eles a disposição para tirar dúvidas e pedir opiniões. Paula Scher trabalhou identidade visual, e disse ter ficado bastante impressionada com a qualidade de alguns trabalhos apresentados.

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DJ Stout trabalhou capas e conceitos de revistas. Primeiro pediu que os alunos comprassem duas publicações, uma somente pela capa, e outra porque o conteúdo parecia interessante. Depois, eles tiveram que se unir em grupo para pensar numa identidade visual para uma possível revista sobre as Olimpíadas.

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Lorenzo, por outro lado, queria que seus participantes vissem a cidade como uma “tela” para o design gráfico, considerando que este pode – e deve – contribuir com a qualidade de vida na cidade. Porque que não marcar pontos na arquitetura urbana para que as pessoas aproveitem a cidade, incentivar a arte e até mesmo intervir de forma a questionar valores urbanos? Pensar nisso foi o desafio proposto por Apicella.

Na quarta-feira, dia do nosso grande evento, logo cedo “dominamos” o espaço da nossa outra grande parceira, a FAAP, cujo espaço foi extremamente elogiado pelos três palestrantes do Pentagram.

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Quem começou foi a Paula Scher, que divertiu a platéia contando do início da sua carreira. Ela mostrou sua casa na Virgínia, fotos suas novinha como hippie e como foi assistir ao vivo o discurso do “I have a dream” de Martin Luther King. Todas as referências que fizeram de Paula uma rebelde contra formalismo da escola suíça, e a fizeram se apaixonar pelo estilo do estúdio Push Pin, dirigido por Seymour Chwast, na época seu ídolo, e hoje seu marido, que refletem fortemente no seu estilo de fazer e pensar design.

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Depois de uma longa sessão de Perguntas e Respostas – que deixou, infelizmente, muitas delas sem a palavra de Scher, foi a vez de Lorenzo mostrar como ele, através da arquitetura cria ambientes de marca. Com seu trabalho ele mostrou como Pentagram se articula com os arquitetos para criar lugares que traduzam os valores das marcas.

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DJ Stout fechou as apresentações, desta vez focando seu trabalho com marcas e embalagens, e apenas pincelando seu trabalho editorial. Contando histórias bem pessoais e detalhando processos de aprovações, como o exótico job em que ele colocou instalações de cavalos azuis numa cidadezinha americana, Stout mostrou porque esse pequeno escritório de Austin, no Texas, teve competência suficiente para ser convidado a ser sócio do Pentagram.

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No fim de um dia muito cheio, foi a hora do debate, momento que todos queriam ver o “circo pegar fogo”. O tema era o modelo de gestão do Pentagram, e para debater foram convidados Rico Lins e Luciano Deos, o primeiro com um escritório de pequeno porte de trabalho bem autoral, e Deos, representando um grande conglomerado que hoje abrange seis linhas distintas de atuação, passando por branding, inovação e arquitetura comercial.

O grande objetivo era contrastar esses modelos diferentes, focando o modelo único do Pentagram, que, em resumo se baseia na sociedade entre grandes nomes do design, que atuam independentemente, porém dividem lucros, gastos e, claro, shares da empresa. A primeira dificuldade estava em entender como esse modelo funciona, sem que os sócios façam uma forte prospecção de clientes (eles são muitas vezes procurados por indicação ou mesmo pela “fama” que têm no meio), e depois pensar se esse modelo é viável no Brasil. Claro, que a conclusão é que o contexto não permite algo assim ainda, pois o mercado deve primeiro entender e absorver esses profissionais com a mesma seriedade e reconhecimento que existe em lugares como EUA e Europa.

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A expectativa de um debate intenso foi em parte apagada pelo horário (já eram mais de 20h00 quando ele começou) e pelo cansaço de todos (começamos às 09h00. Sempre vale o aprendizado. No próximo evento, vamos dividir as palestras em dois dias!). Mas mesmo assim, pudemos sair entendendo melhor como uma comunidade como o Pentagram consegue a reputação que tem, convivendo da forma como convivem.

“Temos nossas metas, nossas regras, mas basicamente se tratam de pessoas que tem características pessoais em comum: gostamos muito um dos outros, apreciamos trocar informação sobre os projetos e entendemos que é melhor um sistema que divide o dinheiro igualmente. Se um dia eu passar um período ruim, tenho a estrutura do Pentagram para me apoiar, como aconteceu com alguns sócios em Nova York ano passado por causa da crise. Mas esse ano, já se recuperou. Você tem que ser uma pessoa desprendida, porque se num ano você fez mais dinheiro que outro sócio, vocês dois vão ganhar igual. Dinheiro é bom, claro, mas não é o único elemento na equação. Fazer trabalhos com a qualidade que queremos tem o seu custo, e nos posicionarmos dessa forma também. Um exemplo foi o fato de termos ficado de fora da concorrência para as Olimpíadas de Londres. Não é um sistema perfeito, mas até agora tem sido muito satisfatório para quem está lá”, explicou Lorenzo.

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Um detalhe bacana é que o três acharam muito legal a oportunidade de darem palestras juntos, coisa que nunca aconteceu antes com membros de sedes tão distantes.

 

Passar esses dias ao lado desses três grandes profissionais foi um privilégio enorme, e melhor ainda, uma diversão. Tivemos a oportunidade de conhecer não só como eles entendem o design, como também um pouco do seu jeito de ser, suas histórias pessoais,  hobbys e até umas fofoquinhas internas do Pentagram (que, como não somos fofoqueiros, vão morrer com a gente!).

Mas para nossa equipe, o mais importante de tudo foi ter conseguido viabilizar esse evento, trazendo o escritório que queríamos (com o apoio indispensável da FAAP – valeu Milton! e da Abril – valeu Bebel!). Esse pode ter sido um pequeno encontro para designers como Paula Scher, DJ Stout e Lorenzo Apicella, acostumados a falar para centenas de pessoas, mas para abcDesign foi um passo gigantesco que, esperamos, nos leve para cada vez mais longe. (E que nos ajude a trazer palestrantes de cada vez mais longe também… fica o suspense para 2011).

Fotos: Ericson Straub e FAAP.

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