Bicicleta aprisionadora

Bicicleta aprisionadora

 

Uma das funções do design é, claro, tornar os produtos mais fáceis de usar. Mas artista Jacques Carelman, hoje com 81 anos, gostava mesmo era de criar os objetos mais esquisitos possíveis.

Esses projetos eles reuniu no livro publicado em 1969 chamado Catalogue d’Objets Introuvables (Algo como “Catálogo dos Objetos Impossíveis”).

Com mais de 400 projeto desenhado, o livro fez grande sucesso quando foi lançado e chegou a ser traduzido para 17 línguas. O sucesso fez com que Carelman fosse convidado a expôr no Mueseu de Artes Decorativas de Paris e para isso ele desenvolveu 60 dos 400 projetos.

O objetivo de Carelman era, logicamente, divertir as pessoas, e os críticos da época chegaram a chamar o estilo de gag-art, mas me parece que a intenção do artista era de alguma forma criticar a própria sociedade consumista. “As atividades humanas são inumeráveis e variadas. Algumas se transformam em aviões, outras em fundos públicas ou uma conversa. Eu, pessoalmente, prefiro despojar os objetos comuns de seu uso corrente. É menos perigoso, mais honesto e infinitamente mais divertido. Meus objetos, ao contrário dos aparatos que a nossa sociedade do consumo venera, são perfeitamente inúteis”.

Gosto de olhar os objetos de Carelman porque eles às vezes me lembram os montes de entulhos inúteis do tipo made in China e “Polishop” que são vendidos por aí. O artista, quando criou os Objets Introuvables (aliás, introuvable se traduzia para algo como não-acháveis…) achou que estava fazendo algo para as pessoas refletirem, se divertirem. No fim, parece que ele estava mesmo é prevendo que um dia iam gastar tempo e dinheiro num monte de bagulho inútil.

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